sexta-feira, 26 de agosto de 2011

De conchita

Não passava das oito da manhã de um sábado qualquer. Ela sequer tinha noção das horas. Acordou num rompante, sentindo o leve peso de um braço nas costas, puxando pela cintura. Abrir os olhos era uma tarefa difícil, ainda mais pelo medo do que poderia encontrar pela frente depois de uma noite regada a drinks mirabolantes. Ok, irmã, coragem. O vestido amassado no chão dava a primeira pista. Da bolsa, meio aberta, podia-se ver sua escova de dentes, chaves da casa, celular, carteira, cigarros e demais itens de primeira necessidade. Ampliando o campo de visão... o quarto. Nunca tinha estado ali. Na verdade, sempre evitava acordar em outro quarto que não fosse o dela. Por baixo do edredom, sentia a camisa de algodão. Que não era dela. Hora de virar. Sim, era dele. E era ele. E por mais que ela tenha tentado fugir dos cineminhas, parques e passeios ao ar livre que implicassem a mínima convivência e sobriedade, eles agora dividiam a mesma cama. Onde ficaram por mais longas horas naquele primeiro sábado. Daquele dia em diante ela percebeu que não importa o quanto tente resistitir: a intimidade sempre acaba chegando uma hora. Ou outra também. E dessa vez nem doeu.

3 comentários:

Eduardo Lara Resende disse...

Bonito texto, valeu a visita e a leitura.
Abraço.

Marina Magalhães disse...

Obrigada, Eduardo. Volte sempre, intimidade não dói nada. Beijos

Thainá Ismael disse...

De conchita.
Intimidade.


A gente amadureceu?