segunda-feira, 30 de maio de 2011

Beira mar

Sou morador das areias,
de altas espumas.
Os navios passam pelas minhas janelas
como o sangue nas minhas veias,
como os peixinhos nos rios.

Não tem velas, e tem velas;
e o mar tem e não tem sereias.
E eu navego e estou parada;
Vejo mundos e estou cega.

Porque isto é mal de família:
ser de areia, de mar, de ilhas.
E até sem barco navega,
quem para o mar foi fadada.

Deus te proteja, Cecília.
Porque tudo é mar - e mais nada.

(Cecília Meireles)

*Presente da minha mãedrástica.

2 comentários:

Thainá Ismael disse...

Simplesmente encantador e profundo. Emocionou.Li e reli.

Marina Magalhães disse...

É de respirar fundo. E correr para o mar.